Artigo - O PT não quer largar osso

O PT não quer largar osso


Publicado dia 06 de outubro, 2015 / Publicação com 0 comentário(s)

Nunca, em toda a sua história, o Brasil esteve tão em baixa como agora. É uma crise sem precedentes, e o pior é que não se vislumbra uma luz no final do túnel. O governo do PT patina e não sai do lugar. As possíveis soluções são lançadas ao vento, como as redes em locais que não têm peixe. Aí, aguarda-se o resultado, dependendo da repercussão da proposta. Até agora, todas as apresentadas foram como um tiro n’água, de forma inócua. Isso, sem falar na atitude irresponsável do governo federal de mandar para o Congresso Nacional a proposta de orçamento para 2016 com um déficit de R$ 30,5 bilhões.
Ora, as propostas têm que ter consistências, com o controle de gastos e administração correta dos bens públicos. Quando o tucano FHC foi presidente do Brasil, o PT lutou com unhas e dentes para evitar a privatização de estatais, empresas que viviam no vermelho e que ofereciam serviço de péssima qualidade ao contribuinte. Quem não se lembra, por exemplo, da empresa de telefonia. Para se conseguir uma linha telefônica era preciso pernoitar em filas e pagar ágio e o serviço era ruim. Ainda não está uma maravilha, mas melhorou muito depois da privatização.
O jornal O Globo trouxe reportagem, dias atrás, sobre as empresas estatais dependentes do Tesouro Nacional, 18 ao todo, as quais estão mais inchadas e mais deficitárias. Em 2009, essas empresas tiveram um prejuízo de R$ 179 milhões. Em 2013, a cifra negativa saltou para R$ 1,8 bilhão. 
Quanto ao inchaço, a reportagem mostra que em 2009, as 18 estatais tinham 36.488 funcionários. Em 2013, já eram 47.433 pessoas. Observando-se com mais atenção, nota-se que o número de funcionários cresceu 30%, mas a folha de pagamento cresceu 108%. Em 2009, foram gastos R$ 3,5 bilhões com os salários dos funcionários. Em 2014, foram R$ 7,3 bilhões. E mais ainda: em 2014, o brasileiro pôs R$ 15 bilhões nas 18 estatais, mas apenas 28% foram destinados a investimentos. 
Um exemplo do dinheiro mal gasto é a criação da Empresa de Planejamento Logístico, fundada em 2002 para planejar a construção do trem-bala, que até hoje não saiu do papel e não se sabe se algum dia sairá. São 161 funcionários que nada fazem, não têm o que fazer. Ou seja, todo mundo manda e quem puder tirar uma casquinha vai levando de barriga. O PT é contra a privatização e com razão, porque senão não teria como acomodar tantos apaniguados, tanta gente sem fazer nada e recebendo muito. Por isso, não quer largar o osso.
 
E o pior disso tudo é ver a Petrobrás, que já foi considerada uma das melhores empresas do ramo de petróleo do mundo, envolvida no maior escândalo de corrupção da história nacional, com desvios de bilhões de reais. A revista Veja traz reportagem, na edição desta semana, em que o médico nordestino Pedro Corrêa se destacou, durante quase quatro décadas, como um dos parlamentares mais influentes em negociações de bastidores. 
Ele está preso na Operação Lava-Jato, mas já adiantou que vai jogar “caca” no ventilador. Disse “que Lula e a presidente Dilma Rousseff não apenas sabiam da existência do petrolão como agiram pessoalmente para mantê-lo em funcionamento. O topo da cadeia de comando, portanto, estaria um degrau acima da Casa Civil, considerada até agora, nas declarações dos procuradores, o cume da organização criminosa”. Acrescenta a reportagem que “a criação coletiva, que desfalcou pelo menos R$ 19 bilhões dos cofres da Petrobras, continuou a brilhar no mandato de Dilma Rousseff - e com a anuência dela, de acordo com o ex-presidente do PP”.
É muita cara de pau desse povo ainda querer ajuda dos partidos da oposição para salvar o Brasil. Eles precisam assumir o erro, admitir a incompetência e sair. Acredito muito na Justiça brasileira e espero que, no governo ou fora dele, essa quadrilha vai pagar e amargar vários anos de cadeia. O povo brasileiro merece viver em bem-estar, com qualidade de vida. Basta de rapinagem.
 
Carlão Pignatari – Deputado estadual, líder da Bancada do PSDB na Assembleia Legislativa de São Paulo e coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista
 
 
 
 

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